Um assunto bastante controverso na Mastologia é a cirurgia de mastectomia profilática, que nada mais é do que a retirada de uma ou das duas mamas antes do diagnóstico do câncer de mama, uma forma preventiva para as mulheres que apresentam sérios riscos de desenvolver a doença.

Pode-se pensar na cirurgia profilática em duas situações principais: quando a paciente já teve ou tem câncer em uma das mamas e retira a outra para evitar que o câncer também a acometa. E quando identifica que possui uma alteração genética dos genes BRCA junto de um histórico familiar de alto risco, como mãe, irmãs e/ou filhas com câncer de mama antes dos 50 anos. Uma terceira situação seria quando a paciente realizou uma biópsia com diagnóstico de carcinoma lobular in situ (LCIS).

Desde que a atriz Angelina Jolie declarou, em 2013, que realizou uma dupla mastectomia profilática por ser portadora de alteração no gene BRCA1, o assunto passou a estar mais presente nas consultas médicas, o que é muito importante por dar às pacientes mais opções para serem consideradas.

A mutação nos genes BRCA faz com que o DNA pare de se reparar, o que aumenta o risco de desenvolver câncer de mama e também nos ovários. Quem tem a mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 tem 85% de chance de desenvolver câncer de mama. No caso de câncer nos ovários, a percentagem fica em 40 a 50% para aquelas com mutação no BRCA1 e 20 a 25% no BRCA2. Entretanto, é importante lembrar que ter a alteração genética não dá a certeza de que a paciente terá câncer, mas aumenta bastante a probabilidade. As alterações em BRCA1 e BRCA2 atingem uma em cada 600 mulheres, mas devem ser testadas apenas aquelas com um histórico familiar de risco.

São principalmente nesses casos em que se deve avaliar: aguardar para saber se o câncer de mama irá se desenvolver e submeter-se ao tratamento com quimioterapia depois ou fazer a mastectomia profilática, que é uma decisão mais agressiva e que pode trazer com ela transtornos psicológicos, traumas e questões de autoestima? Mesmo podendo salvar vidas, este tipo de cirurgia só deve ser realizada após uma avaliação profunda, muitas conversas entre médico, paciente e familiares, pesando prós e contras com bastante transparência e responsabilidade.

 

A cirurgia evita o aparecimento do câncer de mama no futuro?

Infelizmente, nem sempre. A cirurgia reduz significativamente as chances de ter câncer de mama, mas isso não é 100% garantido, pois não é possível remover todo o tecido e o câncer pode se desenvolver na região da axila e da parede torácica. Importante ressaltar que, mesmo as pacientes que optam pela mastectomia profilática precisam manter as consultas de acompanhamento com mastologista para exames frequentes de prevenção.

 

Quais as consequências de uma mastectomia profilática?

A mastectomia profilática não deve ser encarada como uma cirurgia estética, mesmo que seja possível, e muitas vezes seja até recomendado, que a paciente posteriormente faça uma reconstrução mamária através de cirurgia plástica para melhorar a aparência e o formato das mamas removidas.

Como toda cirurgia, a mastectomia profilática traz riscos que devem ser apresentados à paciente e seus familiares, além de ter um impacto enorme no psicológico da mulher. Por tudo isso, não deve haver pressa na tomada de decisão. Quanto mais consciente ela for, melhor será em todos os aspectos, tanto na recuperação posterior, quanto resgate da autoestima.

 

E se a paciente não quiser fazer a cirurgia?

Caso a paciente opte por não ser operada, mesmo tendo a alteração genética no BRCA, será mantido para ela o acompanhamento com exames preventivos de imagem, como mamografia e ultrassonografia com intuito de diagnosticar a doença o mais precocemente possível, se ela surgir. O objetivo é diminuir ao máximo os impactos do câncer de mama e aumentar as chances de cura e preservação das mamas com um diagnóstico precoce. Dependendo do caso, o médico pode sugerir a utilização de medicamentos que bloqueiam o estrogênio e reduzem a produção desse hormônio no corpo, além de avaliar a possibilidade de cirurgia profilática para remoção dos ovários. Tudo sempre pesando os prós e contras, avaliando riscos e casos individuais de cada paciente, pois todas essas decisões terão impacto em sua vida futura.

São muitas as informações sobre este assunto e o mais importante neste momento é que a paciente saiba que ela tem opções. Estar informada sobre as suas possibilidades pode trazer certa tranquilidade, assim como a confiança na equipe médica e nas informações dadas por ela. Conte sempre com uma equipe multidisciplinar antes de decidir! Ouça o seu mastologista, converse com o oncologista e com o cirurgião. Você também pode precisar de um aconselhamento psicológico. Compreender os riscos de desenvolver o câncer de mama irá ajuda-la a tomar a melhor decisão para você.

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