O diagnóstico de câncer de mama é bastante assustador e percebo nas minhas pacientes, além do medo da doença em si, a preocupação com a possibilidade de perder uma ou as duas mamas durante o tratamento. Essa questão é muito importante e deve ser cuidada pelo médico mastologista com toda a atenção que a paciente merece, porque no corpo feminino as mamas têm um significado muito relacionado à feminilidade, à maternidade, à sexualidade, enfim, vai além da questão estética, que também é importante, porque afeta a autoestima e pode impactar diretamente na vontade de viver da paciente, na sua força para seguir um tratamento já tão desgastante e doloroso.

Em minha experiência como médico, percebo que a maioria das mulheres que tem indicação de uma cirurgia por câncer de mama, seja ela mastectomia ou quadrantectomia, se beneficia muito quando opta pela cirurgia de reconstrução mamária, seja ela concomitante à cirurgia ou tempos depois. Nos últimos anos, este procedimento tem sido cada vez mais oferecido às mulheres, principalmente após a publicação da Lei 12.802/2013 que garante o direito ao procedimento por meio do Sistema Único de Saúde. Importante é que cada paciente se pergunte se gostaria ou não de fazer a reconstrução, avaliando junto do seu médico todo o contexto da sua saúde, o estágio da doença, compreendendo os riscos, o pós-operatório e tempo de recuperação entre outras questões.

Algumas pacientes podem optar por não fazer a reconstrução enquanto ainda estão em tratamento para o câncer. Às vezes elas sentem que não devem passar por mais um procedimento além do tratamento que já estão enfrentando. Nestes casos, o mastologista deve esclarecer os prós e contras, mas sempre respeitar o desejo e a decisão da mulher.

Além do desejo da paciente, o mastologista irá avaliar o estado geral de saúde da paciente. Os tipos de cirurgia de reconstrução são diferentes, com técnicas de oncoplástica variadas e a decisão sobre a mais indicada para cada paciente será tomada levando em conta a forma da mama, o biótipo da mulher e a técnica de mastectomia empregada.

São dois os principais tipos de cirurgia de reconstrução mamária: os implantes de silicone e os procedimentos com retalhos mio-cutâneos. Vamos entender um pouco sobre cada um deles:

 

Implantes de silicone

Em alguns casos, quando é possível preservar pele, aréola e mamilo durante a mastectomia, a paciente poderá optar pelo implante de silicone para dar volume à mama que foi retirada. Nestes casos, o implante é feito atrás do músculo peitoral maior, músculo que fica atrás da glândula mamária. Junto com o médico, a paciente poderá escolher formato, textura e projeção da prótese de silicone, para que tudo esteja de acordo com o biótipo da mulher.

Existe também a opção da prótese expansora para ser usada quando a quantidade de pele preservada não é suficiente para o implante comum. Nesta situação, os implantes são preenchidos com soro fisiológico aos poucos para distender a pele. Posteriormente é possível fazer a troca dessa prótese por uma definitiva.

 

Procedimentos com retalhos mio-cutâneos

Nestes procedimentos são utilizados retalhos cutâneos de uma área do corpo da própria mulher para reconstruir a mama. Geralmente, os tecidos vêm do abdômen e das costas.

A técnica conhecida como TRAM utiliza retalho músculo-cutâneo transverso do reto abdominal e é indicada quando a paciente não é muito magra, porque usaremos o tecido gorduroso abdominal sobressalente na reconstrução mamária.

Já na técnica Grande Dorsal, o retalho musculo-cutâneo é retirado das costas e geralmente é associado também a uma prótese de silicone para poder recriar o volume da mama.

Há também a opção conhecida como DIEP, que usa retalho perfurante da artéria epigástrica, isto é, tecido adiposo da barriga. Neste caso é preciso fazer uma microcirurgia para religar pequenos vasos.

 

Como se preparar para a cirurgia

Se você pensa em fazer a cirurgia de reconstrução mamária, a minha indicação é que você discuta o assunto amplamente com o seu mastologista e/ou com o cirurgião plástico antes mesmo da mastectomia. Juntos, vocês podem avaliar se devem fazer ambos os procedimentos no mesmo momento ou aguardar o seu tratamento. Mulheres que precisarão de radioterapia muitas vezes podem ser orientadas a aguardar o tratamento para realizar a reconstrução da mama.

Esta cirurgia tem melhorado muito a vida da mulher depois do tratamento do câncer de mama. Como falei anteriormente, notamos que, com a autoestima melhor, a paciente sente-se mais forte para enfrentar todo o processo. De qualquer forma, saiba que após a cirurgia você sentirá uma diferença de sensibilidade na mama e muito possivelmente também sentirá diferença no seu corpo de onde o retalho cutâneo for retirado.

No site do Instituto Oncoguia há um roteiro de perguntas que podem ajudar você na sua consulta com o cirurgião ou mastologista. Acesse clicando aqui.

 

Este assunto é bem amplo, por isso em um próximo artigo voltaremos a ele e falaremos sobre o pós-operatório, a recuperação, os riscos que precisam ser levados em consideração para a realização de uma cirurgia de reconstrução mamária e também sobre a vida após a cirurgia. Acompanhe o nosso site!

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário